
Apesar de ter tido alguns problemas de saúde, a atriz e empresária garante que viveu na tribo algumas das experiências mais ricas da sua vida
Quando partiu para “Perdidos na Tribo”, Io Appolloni, 66 anos, disse que não se iria apaixonar, só que assim que chegou à Etiópia e às terras dos Hamer foi obrigada a ter um par. “Tive de escolher um namorado! A tribo exigiu isso, por brincadeira ou para me proteger, não sei bem”, conta, a rir. A tarefa não foi difícil. “Escolhi o Arboló, mas não chegámos a vias de facto. Foi só uma brincadeira”, assegura. Para Io, a experiência da tribo serviu sobretudo para testar os seus limites. “Fiquei feliz quando conseguimos ultrapassar dificuldades. Quando bebemos sangue ou quando tive de enfiar a cabeça no estômago da cabra!” Porém, nem tudo foi fácil. A atriz e empresária garante que “aqueles dias não foram umas férias”. Não nega que passou por muitas
privações e perdeu 4 kg. “Não passei fome, mas era escusado ter de fazer tanta pedinchice à produção só para ter uma sandes. Não preciso de estar quatro dias sem comer para fazer uma cena em que tinha de parecer que estava com muita fome”, sublinha. A única comida que tinha, além das sandes de queijo que a produção de vez em quando lhes dava, era o sorgo, um cereal.
Doenças e atritos
O estômago de Io não aguentou e teve dois desarranjos intestinais e ainda não está bem. “Ainda não sei o que tenho. Mas não consigo comer de tudo. Já fui ao médico, fiz análises, mas ainda estou à espera dos resultados. Se calhar, trouxe algum bicharoco da Etiópia para me fazer companhia”, diz com ar despreocupado que lhe é característico. Com quatro hérnias, Io teve alguns cuidados especiais nos bastidores. “Um dos intérpretes hamer fazia-me massagens e resultaram!”, conta.
Porém, a relação com os colegas nem sempre foi fácil. “Tive um pequeno atrito com a Cláudia, mas foi logo sanado”, refere, referindo que não gosta de deixar nada por resolver. “A Cláudia é uma rapariga inteligente, que sabe defender os seus pontos de vista. Adorei o Kapinha! Tem graça, é muito educado, muito disciplinado e sabia bem o que estava a fazer.” Mas não teve empatia com todos. “A outra pessoa [Fernando Mendes], para mim, não existe. Não lhe dou importância nem para falar sobre ele.” E conta que durante um dos castigos em que ela, Cláudia Jacques e Fernando Mendes tiveram de limpar o chão que tinha bosta de vaca, o ex-jogador de futebol se recusou a fazer a tarefa, algo que lhe desagradou. “Deixou-me sozinha e eu comecei a cantar e a recitar um poema do Fernando Pessoa”, explica.
Apesar de tudo, Io garante que valeu a pena viver 22 dias no meio da selva. “Os Hamer são um povo maravilhoso com princípios éticos e morais impecáveis. Lá não há inveja ou egoísmo!” A atriz aguarda agora a visita dos novos amigos. “Estou disponível para os receber cá”, afirma.